Piracicaba, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Ciência

Caverna na China revela cinco fósseis de denisovanos e o primeiro rádio do grupo

Achados na caverna de Bianfu incluem ferramentas, restos de animais e um osso do antebraço nunca antes confirmado como denisovano.

Caverna na China revela cinco fósseis de denisovanos e o primeiro rádio do grupo

A caverna de Bianfu, na província chinesa de Yunnan, preserva evidências de que denisovanos ocuparam a região por mais de 100 mil anos. Entre os achados estão cinco fósseis humanos, ferramentas de pedra e milhares de restos de animais. Os resultados foram apresentados em dois estudos publicados na revista Nature.

O local foi usado aproximadamente entre 190 mil e 70 mil anos atrás. Já os fósseis humanos encontrados nas camadas da caverna têm entre cerca de 134 mil e 167 mil anos.

O primeiro rádio denisovano identificado

As escavações realizadas em 2019 recuperaram quase 1,4 mil artefatos de pedra, mais de 64 mil ossos de mamíferos e dentes humanos. Como muitos fragmentos não podiam ser reconhecidos visualmente, os pesquisadores combinaram a análise do formato dos ossos com o ZooMS, método que identifica espécies por meio de proteínas do colágeno.

A equipe confirmou que cinco restos pertenciam a denisovanos: dois fragmentos do crânio, um fragmento do rádio e dois dentes. Os exemplares apresentavam uma variante de proteína associada a esse grupo de humanos antigos.

O rádio, um dos ossos longos do antebraço, é o achado de maior destaque por ser o primeiro desse tipo confirmado em um denisovano. Sua estrutura reúne características que lembram diferentes grupos humanos: a área próxima ao cotovelo é grande e semelhante à observada em rádios de neandertais, enquanto o formato externo e a região central se aproximam dos humanos modernos.

Para os pesquisadores, essa combinação pode estar relacionada às exigências mecânicas e aos hábitos dos denisovanos que viviam naquela região.

Caça e uso de recursos locais

Entre os artefatos encontrados, havia cerca de 200 ferramentas produzidas a partir de lascas. Muitas foram feitas com uma rocha sedimentar disponível nas proximidades da caverna. Marcas nos ossos de animais indicam que os instrumentos eram usados no processamento das carcaças.

Os vestígios apontam para atividades como caça, corte dos animais e retirada da medula. As presas incluíam espécies de médio e grande porte, entre elas animais semelhantes a bovinos e cervos.

As ferramentas de pedra de Bianfu diferem de instrumentos mais elaborados produzidos por neandertais no mesmo período. Na caverna chinesa, os artefatos parecem ter sido feitos de forma rápida e eficiente, com materiais encontrados no entorno. Também há evidências de ferramentas de osso, prática já registrada entre neandertais.

Os denisovanos são geneticamente relacionados a neandertais e humanos modernos. Análises de DNA indicam que os três grupos tiveram cruzamentos no passado, mas a quantidade reduzida de fósseis dificultou por muito tempo a compreensão da aparência e do modo de vida dos denisovanos.

Bianfu é atualmente o local com o registro fóssil denisovano mais rico conhecido fora da caverna de Denisova, na Sibéria. As diferentes camadas indicam a presença do grupo durante mudanças climáticas e sugerem que o planalto de Yunnan-Guizhou oferecia condições favoráveis à sobrevivência.

Os pesquisadores pretendem aplicar análises de proteínas a outros fragmentos humanos encontrados em sítios arqueológicos. A técnica pode contribuir para identificar novos fósseis e ampliar o conhecimento sobre a adaptação dos denisovanos às mudanças ambientais e à convivência com outros grupos humanos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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