Piracicaba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Ciência

Incêndios frequentes dificultam a regeneração natural do Cerrado

Adaptações ao fogo não impedem que queimadas desordenadas prejudiquem a vegetação, a fauna e a função hídrica do bioma.

Incêndios frequentes dificultam a regeneração natural do Cerrado

O Cerrado tem características que favorecem a rápida propagação do fogo durante a seca, como a presença de biomassa rasteira inflamável, a baixa umidade relativa do ar e os ventos intensos. A ignição ocorre quando o combustível vegetal entra em contato com uma fonte de calor, que pode ser natural ou provocada por atividades humanas.

Descargas elétricas costumam iniciar incêndios naturais no fim da estação seca. Já as queimadas provocadas pelo ser humano podem ocorrer durante todo o ano, por causas como bitucas de cigarro, pedaços de vidro, acidentes agrícolas ou ações criminosas ligadas ao desmatamento.

A vegetação campestre e savânica facilita o avanço do fogo rasteiro sobre a serapilheira, camada de matéria orgânica seca acumulada no solo. Para a ecóloga Marina Hirota, diretora científica do Instituto Relva, o vento é essencial para o deslocamento das chamas. “Quando se tem vento, esse fogo é rasteiro e vai sendo arrastado”, afirma.

Incêndios frequentes afetam a regeneração

As plantas nativas do bioma desenvolveram adaptações ao fogo ao longo de milênios, entre elas cascas espessas semelhantes à cortiça e raízes profundas. Mesmo assim, a repetição desordenada das queimadas impede a regeneração natural das espécies e causa danos à flora e à fauna rasteira.

O fogo também ameaça a função do Cerrado como regulador hídrico. O bioma abriga as nascentes de oito das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras e integra o Aquífero Guarani. Suas raízes ajudam a descompactar o solo e contribuem para a infiltração, a retenção e a recarga de água. Quando os incêndios são frequentes, essa capacidade fica comprometida, segundo a bióloga Andrée de Ridder Vieira, presidente do Instituto Supereco.

A fragmentação causada pela expansão agrícola sem planejamento sustentável aumenta o contato entre lavouras e áreas nativas, favorecendo o avanço das chamas e a degradação do solo. Sem corredores ecológicos, filhotes, répteis, anfíbios e animais com menor mobilidade podem morrer no fogo ou na fumaça. Os sobreviventes enfrentam falta de alimento, água e abrigo, com impactos sobre a reprodução e a permanência das espécies.

Prevenção e manejo

Especialistas defendem o Manejo Integrado do Fogo, com queimadas prescritas e controladas nos períodos adequados, abertura de aceiros e redução do acúmulo de biomassa seca. O combate também deve combinar monitoramento em tempo real, incluindo dados de satélite do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, com ações preventivas nos territórios.

Redes de apoio e educação ambiental com produtores rurais e comunidades locais são apontadas como medidas para reduzir a queima sem controle e preservar o ecossistema.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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