Piracicaba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Ciência

Jatos de buracos negros alteram gás que alimenta novas estrelas

Observações de centenas de galáxias indicam que os jatos alcançam o meio circumgaláctico e transferem energia ao gás.

Jatos de buracos negros alteram gás que alimenta novas estrelas

Jatos de plasma lançados por buracos negros supermassivos podem afetar regiões externas das galáxias, muito além de seus centros. A conclusão vem de um estudo que encontrou sinais de energia sendo transferida ao gás que poderia alimentar a formação de novas estrelas.

A pesquisa ajuda a investigar por que as galáxias não têm uma quantidade ainda maior de estrelas. Estruturas formadas por gás e poeira envolvem galáxias grandes, como a Via Láctea. Esse material, chamado de meio circumgaláctico, funciona como reserva para o nascimento de novos astros.

Energia alcança o meio circumgaláctico

Em períodos de intensa atividade, o gás pode se deslocar para dentro das galáxias. O processo depende de esse material esfriar e se agrupar. Quando isso deixa de acontecer, ou quando o gás para de entrar na galáxia, a formação de estrelas é interrompida.

Os buracos negros supermassivos podem influenciar esse processo quando estão se alimentando. Nessa fase, eles lançam jatos de plasma e radiação que avançam para além da região central. De acordo com o estudo, os jatos chegam às partes externas da galáxia e também ao meio circumgaláctico.

Ao atingir o gás ao redor das galáxias, os jatos alteram o material que poderia servir de combustível para a formação estelar. A influência não é igual em todas as regiões: os efeitos mais intensos apareceram perto das bordas externas das galáxias e na extremidade do meio circumgaláctico, onde os jatos liberam mais energia.

“Esta é uma descoberta revolucionária que resolve o antigo mistério de como os buracos negros influenciam as galáxias, suas estrelas e a vida como a conhecemos”, afirmou Sanchayeeta Borthakur, da Universidade Estadual do Arizona e uma das líderes da equipe.

Observações de galáxias com jatos

Para analisar o fenômeno, Sanchayeeta Borthakur, Namrata Roy e outros pesquisadores estudaram centenas de galáxias que tinham buracos negros ativos e jatos. Foram usadas observações do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) e medições de jatos de rádio do LOFAR Two-meter Sky Survey (LoTSS).

A equipe identificou pontos ao longo dos jatos em que o gás ionizado brilhava intensamente. Esse brilho foi interpretado como sinal de que o plasma atingia e atravessava aglomerados de gás ao redor das galáxias, transferindo energia para eles.

Apesar de terem massas equivalentes a milhões ou bilhões de vezes a do Sol, os buracos negros supermassivos são pequenos em comparação com as galáxias que abrigam. Uma galáxia pode conter centenas de bilhões de sistemas estelares. Ainda assim, seus jatos e sua radiação conseguem lançar grandes quantidades de energia no ambiente.

“Mais do que tudo, o que me empolga é a escala dessa conexão”, disse Roy, do Raman Research Institute e também líder da equipe. Segundo ela, o impacto pode alcançar centenas de milhares de anos-luz, enquanto o gás brilha ao longo do caminho percorrido pelo jato.

O estudo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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