Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Ciência

Modelo estima perdas bilionárias de tempestades solares nos EUA

Estudo calcula impactos de tempestades geomagnéticas na rede elétrica e relembra o risco de escalada militar em 1967.

Modelo estima perdas bilionárias de tempestades solares nos EUA

Um modelo matemático desenvolvido nos Estados Unidos estima que tempestades solares intensas podem afetar milhões de pessoas, interromper o fornecimento de energia para empresas e causar perdas de até US$ 1,81 bilhão (R$ 9,29 bilhões) por dia.

A ferramenta combina conhecimentos de física, engenharia e economia para calcular os efeitos de diferentes níveis de tempestades geomagnéticas sobre a rede elétrica. Em um evento com recorrência estimada de uma vez a cada 250 anos, até 5 milhões de americanos e mais de 135 mil empresas poderiam ser atingidos.

Risco para a rede elétrica

As tempestades começam quando o Sol libera plasma e campos magnéticos por meio de ejeções de massa coronal. Ao alcançar a Terra, esse material interage com o campo magnético do planeta e pode gerar campos geoelétricos. Eles induzem correntes capazes de afetar a transmissão de eletricidade, principalmente em transformadores extra-alta tensão, que regulam a voltagem da rede.

O modelo foi criado por Edward J. Oughton, professor-assistente da George Mason University, e sua equipe. Em um cenário de tempestade com recorrência de 100 anos, 3,5 milhões de pessoas poderiam ser afetadas, enquanto cerca de 91 mil empresas perderiam o fornecimento de energia. As perdas econômicas chegariam a US$ 1,22 bilhão (R$ 6,26 bilhões) por dia.

No cenário de 250 anos, as perdas diretas seriam de US$ 980 milhões (R$ 5,03 bilhões) por dia. Considerando o impacto total, o valor subiria para US$ 1,81 bilhão (R$ 9,29 bilhões).

Episódio histórico

O risco do clima espacial também apareceu em 1967, quando uma tempestade solar interferiu nos radares de alerta antecipado dos Estados Unidos. Autoridades americanas chegaram a atribuir o problema à União Soviética, e a situação quase provocou a Terceira Guerra Mundial. Especialistas em clima espacial forneceram informações a tempo de evitar uma escalada.

Para verificar o modelo, os pesquisadores compararam simulações sobre subestações com medições da Tennessee Valley Authority durante a tempestade Gannon, em 2024.

Publicado na revista AGU Advances, o estudo pode orientar investimentos na proteção da rede elétrica. Os autores também defendem novas análises sobre efeitos em cascata e sobre a ocorrência simultânea de tempestades geomagnéticas e eventos extremos, como ondas de calor ou furacões.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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