Um modelo matemático desenvolvido nos Estados Unidos estima que tempestades solares intensas podem afetar milhões de pessoas, interromper o fornecimento de energia para empresas e causar perdas de até US$ 1,81 bilhão (R$ 9,29 bilhões) por dia.
A ferramenta combina conhecimentos de física, engenharia e economia para calcular os efeitos de diferentes níveis de tempestades geomagnéticas sobre a rede elétrica. Em um evento com recorrência estimada de uma vez a cada 250 anos, até 5 milhões de americanos e mais de 135 mil empresas poderiam ser atingidos.
Risco para a rede elétrica
As tempestades começam quando o Sol libera plasma e campos magnéticos por meio de ejeções de massa coronal. Ao alcançar a Terra, esse material interage com o campo magnético do planeta e pode gerar campos geoelétricos. Eles induzem correntes capazes de afetar a transmissão de eletricidade, principalmente em transformadores extra-alta tensão, que regulam a voltagem da rede.
O modelo foi criado por Edward J. Oughton, professor-assistente da George Mason University, e sua equipe. Em um cenário de tempestade com recorrência de 100 anos, 3,5 milhões de pessoas poderiam ser afetadas, enquanto cerca de 91 mil empresas perderiam o fornecimento de energia. As perdas econômicas chegariam a US$ 1,22 bilhão (R$ 6,26 bilhões) por dia.
No cenário de 250 anos, as perdas diretas seriam de US$ 980 milhões (R$ 5,03 bilhões) por dia. Considerando o impacto total, o valor subiria para US$ 1,81 bilhão (R$ 9,29 bilhões).
Episódio histórico
O risco do clima espacial também apareceu em 1967, quando uma tempestade solar interferiu nos radares de alerta antecipado dos Estados Unidos. Autoridades americanas chegaram a atribuir o problema à União Soviética, e a situação quase provocou a Terceira Guerra Mundial. Especialistas em clima espacial forneceram informações a tempo de evitar uma escalada.
Para verificar o modelo, os pesquisadores compararam simulações sobre subestações com medições da Tennessee Valley Authority durante a tempestade Gannon, em 2024.
Publicado na revista AGU Advances, o estudo pode orientar investimentos na proteção da rede elétrica. Os autores também defendem novas análises sobre efeitos em cascata e sobre a ocorrência simultânea de tempestades geomagnéticas e eventos extremos, como ondas de calor ou furacões.







