DAVINÓPOLIS — Fósseis encontrados durante a construção de um terminal rodoferroviário levaram à identificação de uma nova espécie de dinossauro no Maranhão. Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o animal viveu há cerca de 120 milhões de anos, tinha aproximadamente 20 metros de comprimento e é o maior dinossauro conhecido no estado.
A descoberta ocorreu durante o acompanhamento arqueológico da obra. No início, os ossos foram considerados possíveis restos de grandes mamíferos pré-históricos. Avaliações posteriores feitas por pesquisadores brasileiros indicaram que o material pertencia a um saurópode, grupo de dinossauros herbívoros caracterizado pelo pescoço comprido e pelo grande porte.
Os fósseis estavam a cerca de oito metros de profundidade, em uma formação geológica com aproximadamente 120 milhões de anos. Entre as peças identificadas estão vértebras da cauda, costelas e ossos dos pés, braços e pernas. Também foi encontrado um fêmur de aproximadamente 1,5 metro. O conjunto é considerado relativamente completo, e outros restos do mesmo animal podem continuar enterrados no local.
Relação com dinossauros da Europa
A espécie foi descrita no Journal of Systematic Palaeontology em 12 de fevereiro. Para chegar à identificação, os cientistas analisaram os fósseis, a estrutura microscópica dos ossos e as relações evolutivas do animal.
O estudo apontou que o parente conhecido mais próximo do Dasosaurus tocantinensis é o Garumbatitan morellensis, encontrado na Espanha. A linhagem provavelmente surgiu na Europa e alcançou a América do Sul pelo norte da África entre aproximadamente 140 milhões e 120 milhões de anos atrás.
Com cerca de 20 metros, o novo dinossauro supera o Amazonsaurus maranhensis, que media aproximadamente 10 metros. A análise dos ossos também identificou características combinadas de saurópodes mais antigos e de titanossauros posteriores. Esse resultado pode ajudar a investigar a evolução do crescimento e da remodelação óssea nesses animais.
A equipe negocia novas escavações na área da obra. Os pesquisadores acreditam que mais ossos do indivíduo ainda estejam enterrados e que esses fósseis possam ampliar o conhecimento sobre a espécie e sobre os grandes saurópodes da América do Sul.







