Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Estudo mostra que tubarões-galha-preta detectam sons a até 74 metros

Pesquisa da Universidade Atlântica da Flórida observou respostas dos tubarões a sons de baixa frequência em águas rasas de Palm Beach.

Estudo mostra que tubarões-galha-preta detectam sons a até 74 metros
Foto: Auscape/Colaborador/gettyimages

Tubarões-galha-preta (Carcharhinus limbatus) conseguem detectar sons de baixa frequência a até 74 metros de distância, aponta um estudo da Universidade Atlântica da Flórida. A pesquisa foi realizada em águas rasas do condado de Palm Beach, nos Estados Unidos, e publicada em junho na revista Integrative Organismal Biology.

Os animais também mudaram de direção e nadaram para longe da fonte sonora. Para os pesquisadores, essa reação indica que eles perceberam tanto a presença do som quanto a direção de onde ele vinha.

A espécie foi escolhida porque forma grupos numerosos durante o inverno na região. Ao longo do ano, porém, a quantidade de tubarões diminui. A equipe afirma que o trabalho é o primeiro a quantificar evidências de que animais nadando livremente conseguem perceber e se orientar por sons produzidos no campo acústico distante.

Como os testes foram feitos

Os pesquisadores instalaram um alto-falante debaixo d’água para emitir sons de baixa frequência nas faixas de 100 a 200 Hz, 200 a 400 Hz e 400 a 800 Hz. Um som de 10 kHz foi usado como controle. O objetivo era provocar reações de susto, e não atrair os tubarões.

Hidrofones mediram os níveis sonoros em diferentes pontos, enquanto drones registraram os movimentos dos animais a uma altura entre 40 e 50 metros. Com as imagens, foi possível calcular a distância entre os tubarões e o alto-falante.

Os animais reagiram às três faixas de baixa frequência e se deslocaram para uma distância de até 74 metros. Não houve reação ao som de alta frequência usado como controle. Mais de 70% das respostas registradas aconteceram no campo acústico distante, e os tubarões foram mais sensíveis aos sons de baixa frequência, percebidos a maiores distâncias e com menores níveis sonoros.

“Sua abundância e acessibilidade nos permitiram observá-los de cima sem perturbar seu comportamento natural”, disse Stephen Kajiura, autor sênior e professor de ciências biológicas na Faculdade de Ciências Charles E. Schmidt da FAU.

Segundo os autores, os tubarões podem ter detectado o movimento das partículas associado ao som mesmo a distâncias consideráveis da fonte. A medição não seria possível em tanques de laboratório, onde o som poderia ricochetear nas paredes e formar padrões acústicos complexos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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