Fenômenos climáticos aparecem cada vez mais em questões de vestibulares por meio de gráficos, mapas, conceitos científicos e análises sociais. Enchentes, ondas de calor, secas, queimadas e o El Niño podem ser relacionados a diferentes áreas do conhecimento, como geografia, biologia, física, química, matemática, história e sociologia.
Em 2025, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classificou o período como um dos mais extremos das últimas décadas sob o ponto de vista climático. O órgão também registrou 1.493 ocorrências de desastres associados a chuvas, incluindo inundações e deslizamentos, nos municípios monitorados.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a agência americana NOAA confirmaram, em junho, a formação do El Niño. A previsão indicada no texto é de intensificação do fenômeno no segundo semestre, com possibilidade de atingir a categoria “muito forte”.
Relações entre clima e sociedade
A Fuvest 2025 usou as enchentes do Rio Grande do Sul, ocorridas em maio de 2024, em uma questão que envolvia a transformação do gráfico de uma função cosseno a partir de ondas de rádio AM. A Unicamp 2025 também levou as enchentes gaúchas para a primeira fase.
Uma enchente pode ser abordada por diferentes perspectivas. Em ciências da natureza, a questão pode tratar do ciclo da água e das características do solo. Em geografia, pode explorar a ocupação das cidades. Em matemática, pode exigir a leitura de dados de chuva. Também pode envolver cidadania, políticas públicas e direitos.
No caso do El Niño, as provas podem cobrar as características do fenômeno e sua relação com o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos extremos. O conteúdo também pode ser associado às mudanças climáticas, considerando a intensidade e a recorrência desses acontecimentos.
No Brasil, o El Niño costuma estar relacionado a secas severas e temperaturas elevadas nas regiões Norte e Nordeste, além de chuvas mais intensas e concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Os vestibulares podem relacionar esses efeitos à desigualdade socioespacial e à vulnerabilidade das populações.
Comunidades indígenas e ribeirinhas podem ser afetadas pelo isolamento provocado pela redução do nível dos rios. Já moradores de áreas urbanas vulneráveis ficam mais expostos a enchentes, deslizamentos e interrupções no acesso à moradia, ao transporte, à escola e aos serviços de saúde.
Ciências da natureza e matemática
Em biologia, os candidatos podem precisar relacionar o aumento das temperaturas e as queimadas no Cerrado à fragmentação de habitats. Outros possíveis conteúdos são efeito estufa, acidificação dos oceanos, deterioração de corais e derretimento de geleiras.
Ondas de calor e secas também podem aparecer em questões sobre os efeitos na fauna e na flora. Um gráfico sobre o aumento da temperatura global ou um mapa sobre a intensidade do El Niño, por exemplo, pode servir de base para perguntas sobre produção de alimentos, agentes polinizadores e dispersores de sementes.
O derretimento das geleiras permite relacionar biologia, química e física a conceitos como calor latente e expansão térmica. A orientação apresentada aos estudantes é acompanhar os acontecimentos ligados à emergência climática e conectá-los aos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Os dados dos desastres podem ser usados para cobrar porcentagem, razão e proporção, médias, variações e projeções. A prova pode apresentar um gráfico com o volume de chuva e a média histórica, uma tabela sobre o avanço das queimadas ou informações sobre o número de pessoas atingidas por uma enchente.
Na leitura desses materiais, é necessário observar o período analisado, a unidade de medida, a escala do gráfico e a base utilizada para calcular um percentual. Um número ou percentual não deve ser interpretado isoladamente, sem a compreensão da comparação proposta.
História, sociologia e atualidades
As mudanças climáticas também podem ser relacionadas a processos históricos, sociais, econômicos e políticos. Entre os possíveis temas estão a Revolução Industrial, a expansão das atividades produtivas, as desigualdades entre países e os diferentes impactos dos eventos extremos sobre as populações.
A preparação, portanto, envolve acompanhar atualidades e relacioná-las a conteúdos de várias disciplinas. Economia, política, geopolítica, desigualdade social, racismo ambiental, emissão de carbono e acordos climáticos podem aparecer associados em questões mais complexas.
A análise apresentada pelo professor Vitor Mizuki relaciona os desastres climáticos a um processo global iniciado com os miasmas urbanos da Revolução Industrial e às relações de extração, produção, distribuição, consumo e descarte. O tema, dessa forma, ultrapassa a dimensão ambiental e também pode ser cobrado como uma questão histórica e social.







