RONDÔNIA — A Justiça condenou o dentista Jean José Dunga de Oliveira a cinco anos de prisão e determinou o pagamento de R$ 50 mil de indenização a uma mulher que afirmou ter sido infectada intencionalmente pelo HIV. Ele pode recorrer da decisão, tomada em 24 de agosto.
Após a condenação, Oliveira passou a cumprir a pena em regime semiaberto. Na quarta-feira (9), porém, voltou a ser preso depois de um pedido do Ministério Público de Rondônia (MP-RO). A decisão mais recente estabeleceu prisão preventiva em regime fechado, diante do risco de novas vítimas apontado pelo órgão.
O dentista já havia sido detido em 10 de junho. Segundo o MP-RO, pelo menos quatro mulheres foram acolhidas pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) e relataram que Oliveira teria provocado a infecção de forma intencional. Outros dois processos relacionados ao caso continuam em tramitação na Justiça.
Relato da vítima
Uma das mulheres, chamada de Maria para preservar sua identidade, relatou o surgimento de febre, dores no corpo, infecções recorrentes e cansaço depois do início do relacionamento com o dentista. Ela procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico positivo para HIV.
Maria disse que não sabia que o namorado era investigado pelo Ministério Público. Durante uma consulta com uma infectologista, informou o nome do parceiro e descobriu que ele era o mesmo homem citado em uma investigação envolvendo outras três mulheres.
Na denúncia, o MP-RO afirma que Oliveira sabia do diagnóstico de HIV havia cerca de dez anos e não teria seguido o tratamento antirretroviral. O órgão sustenta que a transmissão ocorreu de maneira intencional. O caso de Maria foi o primeiro levado a julgamento.







