Piracicaba, Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Brasil

Transplantes de córnea batem recorde, mas espera chega a 370 dias

Conselho Brasileiro de Oftalmologia aponta aumento da fila, diferenças entre estados e impacto da pandemia no atendimento.

Transplantes de córnea batem recorde, mas espera chega a 370 dias
Foto: Divulgação/Hfb

O Brasil realizou 17.790 transplantes de córnea em 2025, o maior número já registrado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Mesmo assim, a fila ativa chegou a 37.719 pessoas, ante 32.639 em dezembro de 2025. O crescimento foi de 24% em seis meses.

A espera média pela cirurgia alcançou 370 dias. Há 10 anos, o prazo era de 174 dias. Para o CBO, o aumento da lista ocorre porque a entrada de novos pacientes segue em ritmo superior à capacidade de redução do passivo acumulado.

Diferenças entre os estados

O Ceará teve o maior número de transplantes entre os estados destacados pelo CBO, com 1.371 procedimentos em 2025. No mesmo período, 1.639 pessoas entraram na fila. Ainda assim, o estado terminou dezembro com 93 pacientes ativos.

No Mato Grosso, a lista tinha 37 pessoas à espera do transplante. Já o Rio de Janeiro realizou 653 cirurgias e recebeu 1.720 novos pacientes em 2025. Com esse desequilíbrio, o estado encerrou dezembro de 2025 com 4.760 pessoas na fila.

São Paulo concentrava a maior lista do país, com 7.505 pacientes ativos em dezembro. Minas Gerais tinha 4.532. Segundo o CBO, os dois estados apresentavam uma relação entre o tamanho da fila e o número de transplantes mais equilibrada que a do Rio de Janeiro.

Amapá e Roraima não registraram transplantes de córnea em 2025.

Fatores apontados pelo conselho

O CBO relaciona a situação a diferentes fatores, como a ausência de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos e os efeitos da pandemia de covid-19. Entre 2020 e 2023, houve represamento de pacientes, especialmente porque cirurgias eletivas foram suspensas para preservar leitos destinados ao atendimento de casos de covid-19.

O conselho também cita os custos dos insumos, cotados em dólar, e as dificuldades de manutenção dos bancos de olhos. Outra questão é o aumento das exigências nas etapas de produção e processamento da córnea, incluindo a gestão de qualidade.

Embora avalie que o sistema esteja próximo da autossuficiência teórica para o fluxo anual, o CBO afirma que a lista continua crescendo com as novas indicações médicas. A entidade considera que o Brasil mantém desempenho compatível com Canadá, Austrália e alguns países da Europa. Na América Latina, o país aparece à frente de Argentina, Chile, Colômbia e México.

Perfil e evolução da fila

As mulheres representam 56% das pessoas que aguardam o transplante. Pacientes com 65 anos ou mais correspondem a 47% da lista, cenário associado pelo CBO ao envelhecimento da população e ao aumento das doenças degenerativas da córnea.

A fila infantojuvenil reúne 753 crianças e adolescentes, acima dos 616 registrados em dezembro de 2025.

A queda mais acentuada no número de procedimentos ocorreu em 2020, quando foram realizadas 7.349 cirurgias, contra 14.942 no ano anterior. Depois, os transplantes chegaram a 12.869 em 2021, 14.082 em 2022, 16.028 em 2023, 17.108 em 2024 e 17.790 em 2025.

O panorama está entre os temas do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador até o próximo sábado (12).

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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