Michael Burry ampliou sua exposição a uma eventual queda de empresas ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. O investidor, conhecido por antecipar o colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos, passou a concentrar parte da estratégia em opções de venda com vencimentos que chegam a 2027.
A mudança ocorre em meio à avaliação de que a expansão da IA pode perder força caso os investimentos não se transformem em receitas suficientes. Burry já havia comparado, em maio, o mercado atual aos meses finais da bolha de tecnologia de 1999 e 2000. Agora, os contratos indicam um horizonte mais curto para essa aposta.
Como as posições foram alteradas
A posição vendida em Micron foi substituída por opções de venda com vencimento em junho e preço de exercício de US$ 500, cerca de R$ 2.605. No caso da Nebius, a troca também envolve contratos com vencimento em junho e preço de exercício na casa das dezenas de dólares.
Para o SOXX, Burry passou a usar opções com vencimento em setembro de 2027, na faixa dos US$ 400, ou aproximadamente R$ 2.084. Já a posição em Palantir foi ampliada com opções de venda para setembro de 2027, na faixa dos US$ 100, cerca de R$ 521.
A escolha pelos contratos está relacionada aos níveis de volatilidade, considerados por Burry excepcionalmente baixos. Nesse cenário, as opções ficam relativamente baratas e permitem buscar uma exposição maior em um período mais curto.
Debate sobre retorno e oferta de chips
O investidor citou uma análise da Ares Management segundo a qual um período de receitas de IA abaixo do necessário para sustentar os investimentos poderia levar conselhos de empresas a redirecionar capital.
O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, também afirmou que os preços dos ativos podem passar por correções. Ele observou que o mercado pode estar tratando algumas empresas como vencedoras antes de ser possível saber quais conseguirão se destacar.
Na oferta de chips de memória, Jason Chen, CEO da Acer, avaliou que o aumento da produção chinesa pode alterar a dinâmica de escassez. “Como poderia haver uma escassez contínua? A capacidade de produção da China vem aumentando consistentemente e não há absolutamente nenhum problema de escassez”, afirmou à CNBC.
Há, porém, avaliações de que parte do crescimento da IA tem fundamentos apoiados por contratos de longo prazo e pela demanda por chips, data centers e capacidade computacional. Outra possibilidade é a ampliação do mercado por empresas menores, caso o acesso à tecnologia fique mais barato.
Enquanto o debate continua, o Nasdaq Composite atingiu recorde recentemente. Micron e Palantir, por outro lado, permanecem abaixo de suas máximas históricas. A diferença resume a discussão sobre se os investimentos em IA estão crescendo mais rápido que os retornos capazes de sustentá-los.







