Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Educação

Projeto reforma 23 escolas ribeirinhas e instala banheiros no Amazonas

Iniciativa da Fundação Almerinda Malaquias já entregou 21 unidades e prevê concluir todas até o final do ano.

Projeto reforma 23 escolas ribeirinhas e instala banheiros no Amazonas
Foto: Maihara Marjorie/Divulgação

Um projeto da Fundação Almerinda Malaquias reformou ou construiu mais de duas dezenas de escolas em comunidades ribeirinhas de Novo Airão, no Amazonas. As unidades atendem 600 alunos e são acompanhadas de moradias para os professores, que costumam viver perto das escolas quando trabalham em áreas afastadas.

A iniciativa surgiu depois que o empresário paulista Ruy Carlos Tone conheceu uma escola onde a professora dormia atrás da lousa, em uma casa sem banheiro. “Foi determinante. Eu senti uma vergonha enorme de estar ali”, disse Tone ao lembrar da visita.

O Projeto Educação Ribeirinha é financiado por doadores e conta com parceria da secretaria de Educação do município, que tem 15,8 mil habitantes e fica a quase 200 km de Manaus. Até o final do ano, a previsão é concluir as 23 escolas públicas existentes em comunidades ribeirinhas. 21 já foram entregues.

As construções seguem um projeto de arquitetura sustentável do Atelier Marko Brajovic, escritório com sede em São Paulo. O desenho das casas recebeu o If Design Award de 2024, na categoria arquitetura pública, em uma competição internacional promovida na Alemanha.

Madeira, ventilação e banheiros

As escolas e as casas dos professores são feitas de madeira, que pode ser retirada da própria comunidade. Os moradores recebem pela extração das árvores necessárias para as obras. O material também facilita reparos futuros, diferentemente das construções de alvenaria, pouco usadas às margens dos rios amazônicos.

O custo varia de R$ 100 mil a R$ 200 mil, conforme o número de alunos. Os prédios têm telhado alto para favorecer a circulação do ar e, em geral, se tornam as construções mais altas dos vilarejos. Para Tone, a aparência tem uma função simbólica: “A ideia é que as crianças, desde o começo, enxerguem como a edificação mais bonita da comunidade, um lugar importante.”

Todas as unidades têm banheiro. Antes, alunos e professores frequentemente precisavam usar o mato ou o próprio rio. Em algumas comunidades, as escolas passaram a ser as primeiras construções com esse tipo de estrutura.

Um levantamento de pesquisadores da UFMG e da PUC Minas, publicado em abril, mostrou que 27,5% das escolas públicas rurais de ensino fundamental da região Norte não tinham banheiro. O estudo utilizou dados de 2011 a 2023 do Censo Escolar da Educação Básica, coordenado pelo Inep.

A professora Adriane Filgueiras, que trabalha na Comunidade Quilombola do Tambor, às margens do rio Jaú, relata dificuldades durante as chuvas. “No período de chuva, as crianças precisam sair [para fazer as necessidades] e voltam molhadas”, afirmou.

Próximas etapas

Depois das obras, o projeto pretende ampliar a formação dos professores em temas ambientais relacionados à vida dos alunos, como saneamento básico e conservação da biodiversidade. A fundação começou a organizar treinamentos e espera expandir a iniciativa com recursos de editais públicos.

Outra frente prevê a construção de escolas na Terra Indígena Waimiri Atroari. A proposta é erguer sete unidades para atender 800 alunos de 40 aldeias ao longo do rio Negro. As lideranças indígenas querem integrar os estudantes à rede pública regular, após um período em que a educação no território foi organizada principalmente pelos próprios waimiris atroaris.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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