Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Carl Rogers e o paradoxo da aceitação como ponto de mudança

Para o psicólogo Carl Rogers, reconhecer a própria condição não significa desistir, mas criar espaço para uma transformação possível.

Carl Rogers e o paradoxo da aceitação como ponto de mudança

A frase de Carl Rogers — “o curioso paradoxo é que, quando me aceito como sou, então eu mudo” — resume uma conclusão que o psicólogo desenvolveu ao longo de décadas de atendimento clínico. Para ele, a transformação não começa necessariamente pela cobrança ou pela insatisfação, mas pelo reconhecimento da situação real da pessoa.

O sentido de “aceitar”

Na abordagem de Rogers, aceitar-se não significa aprovar tudo, gostar de todas as características pessoais ou se conformar. A ideia é deixar de negar o que está acontecendo. Enquanto a pessoa concentra energia em esconder ou rejeitar a própria condição, ela tem menos espaço para examiná-la e trabalhar a partir dela.

Rogers relatou que passou a considerar mais fácil aceitar-se como alguém imperfeito e que nem sempre funciona como gostaria. A mudança, nesse raciocínio, torna-se possível quando a pessoa deixa de exigir de si um funcionamento ideal antes de reconhecer o ponto em que está.

A autocrítica intensa também pode atuar como uma forma de defesa. Ela cria a sensação de que a pessoa já está tomando alguma atitude, mas pode adiar o enfrentamento do problema. A vergonha gera esforço, mas nem sempre indica uma direção. Assim, a cobrança pode alimentar um ciclo em que a falha reforça o julgamento, e o julgamento aumenta a pressão.

A trajetória de Rogers

Carl Rogers nasceu em 1902, nos Estados Unidos. Ele começou estudando teologia e depois migrou para a psicologia clínica. No campo profissional, afastou-se tanto da tradição experimental quanto da psicanálise freudiana.

A American Psychological Association o reconhece como um dos fundadores da psicologia humanista e como criador da abordagem centrada na pessoa. Rogers também formulou o conceito de consideração positiva incondicional, descrito como a postura de aceitar o paciente sem julgamento durante o trabalho clínico.

A frase aparece em On Becoming a Person, obra de 1961 que reúne artigos e conferências. No Brasil, o livro foi publicado como Tornar-se Pessoa, pela Martins Fontes. O trecho está em um capítulo autobiográfico, no qual Rogers apresenta aprendizados obtidos com a experiência com pacientes.

O que a frase não significa

A autoaceitação, nessa perspectiva, não funciona como uma justificativa para manter comportamentos prejudiciais nem elimina a responsabilidade pelos efeitos das próprias ações sobre outras pessoas. A proposta é que a aceitação permita enxergar de onde se parte, tornando a mudança possível.

A obra também não apresenta um protocolo. Trata-se de um relato clínico de 1961, e a abordagem de Rogers tem críticos dentro da própria psicologia. Além disso, há diferenças entre a redação do livro e a versão popularizada na internet, que acrescenta palavras e transforma “então eu mudo” em “então eu posso mudar”.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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